quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Tesão intelectual

Estou superficial. Nunca consegui transformar o verbo dessa frase em uma ação perene. Nunca pude dizer, de fato, "sou superficial". Sigo tentando. Uma das minhas dificuldades, porém, está nas Glândulas de Bartholin. Para quem as desconhece, são as glândulas responsáveis pela lubrificação da vagina. São elas que agem quando dizemos – sem pudor e com gosto – "hummm, fiquei molhadinha"...


Mas sabe aquela afirmação "Inteligência é afrodisíaco"? Pois bem, as minhas glândulas são estimuladas pelo que costumo chamar de tesão intelectual. Não utilizo recursos de linguagem – no caso, metáforas – quando digo que gozei ao ler um texto maravilhosamente bem escrito. Aliás, a boa combinação de palavras na língua falada (outrora conhecida como "arte da oratória"; hoje, vulgarmente difundida como "ser bom de papo") também exerce efeito crucial sobre elas – minhas Glândulas de Bartholin.

Se você, homem, não tem esse dom, o dom das palavras, não adianta tentar compensar com outros tipos de dotes, sejam estéticos, sexuais, comportamentais, etc. Sobretudo, não pense que seu beijo e/ou demais etapas seguintes podem impressionar. Você pode até entrar em mim, dependendo muito da situação a seu favor, e até conseguir alguma lubrificação da minha parte durante o coito. Mas saiba que minhas glândulas estarão trabalhando por obrigação, de má vontade, apenas pela pressão (literalmente) do momento. E elas ODEIAM isso.

O sexo será horrível e não importa quão bonito, bem dotado e/ou carinhoso você seja. Nem o seu dedo, nem o contato de sua língua poderão satisfazê-las. Você só conseguiu entrar porque a superficialidade se sobrepôs, temporariamente, à autoridade delas - minhas Glândulas Intelectuais de Bartholin.

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sábado, 9 de julho de 2011

Ressurreição

Voltei. Tive uma longa recaída à inteligência, mas estou disposta a largar as drogas: os livros, os discos e os filmes europeus. Marquei hora no salão. Segunda-feira sem falta. Praticamente não sou mais loira. E o espelho vinha guiando menos maquiagem que análises sociológicas sobre o mundo pós-contemporâneo.

Escrevo da Chapada dos Veadeiros (GO), em um bloquinho de papel reciclado (resquícios de Pati com "i"), no alpendre do Bar do Pelé. De repente, Marvin Gaye canta "Let's get it on"... Olho as mesas ao lado em busca de alvos. Uma delas me chama a atenção. Seis homens e uma garota que não pára de falar. Sete pseudo-cults (ver postagem de 01/03/2007) discutem o neo-coronelismo brasileiro. Sábado, 23h, Vila de São Jorge com céu estrelado... Citaram Jader Barbalho. Meu Deus, onde estão os maconheiros sequelados deste lugar? E eu que não acreditava em apocalipse...

Então, brindo à superficialidade. Só quero pensar em qual bikini vou usar amanhã na cachoeira. Depende da marquinha de bronzeado que quero levar de volta pra casa. Acho aquela fininha mais sexy. Hummm... deve ser o preto de cortininha então, com cordão branco de listras vermelhas.

ARRASAREI.

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