sexta-feira, 4 de junho de 2010

Pseudo-cult

A superficialidade agora se restringe a horários não comerciais. Quase um hobby. O cabelo comprova: as luzes não são retocadas há meses, e as antigas ocupam o cabelo da metade para as pontas. Desleixo. Correria. Paradoxo.

De qualquer forma, vida de gente grande que segue. 24 anos, meio loira, meio superficial, totalmente inquieta.

domingo, 4 de abril de 2010

Botão Y

A gente carrega nesta vida uma série de pequenos e grandes traumas infantis. Todos nós. Deixando graves problemas de lado, simples frustrações na infância também são responsáveis por pessoas neuróticas e estranhas que vemos por aí. Mas a maioria dos traumas fica ali guardada no inconsciente ao longo dos anos e a gente até esquece. Às vezes, eles retornam em meio a flashes ou objetos que ressuscitam memórias do passado.

Pode ser aquela brincadeira do elástico que a galera fazia embaixo do bloco e você nunca conseguia atravessar a uma determinada altura. Ou aquela palavra que você nunca conseguia falar direito e a professora mandava você repetir um monte de vezes na frente de toda a classe durante a aula. Pode ser aquela comida que todo mundo gosta, menos você que foi obrigado a comê-la quando pequeno...

Pode ser aquele brinquedo que você sempre quis e nunca teve. Pois bem, esse é um dos meus. Outro dia, navegando pela internet, vi uma foto do Super Mario Bros. Bastou para ressuscitá-lo. Pouco antes do meu aniversário de 24 anos, resolvi “consertar” o trauma.



Quando eu era pequena, todo mundo tinha o Super Nintendo (tá, alguns tinham o Mega Drive, Master System, algo assim). Todos os amiguinhos tinham um video game e o Super Nintendo era simplesmente a sensação. Eu ia pra casa das coleguinhas e ficava encantada. Jogar Super Mario era tão legal. O Yoshi é tão lindo. Sabia que dá para levá-lo à casinha para comer maçãs na árvore?? Aquilo era o máximo.

Claro que eu pedia insistentemente um Super Nintendo de presente à minha mãe. Todos os aniversários, Dias das Crianças e Natais durante pelo menos CINCO longos anos da minha vida. Ela – minha mãe –, talvez com um pouco de razão, achava que video game atrofiava o cerébro. Meu desejo nunca foi atendido. Cheguei a achar que Papai Noel não gostava de mim. Foi quando descobri que aquela história de ser uma boa menina era puro papo furado – outro trauma, aliás, mas aí já é outro post.

Então eu saciava a vontade incessante de jogar na casa das amiguinhas. Elas eram craques. Pressionando o botão "Y", corriam pelas fases sem se preocupar com os obstáculos – tartarugas voadoras, lagartas de chapéu, rinocerontes cuspidores de fogo, esqueletos de dinossauro atiradores de ossos, peixes sonâmbulos, fantasmas perseguidores, flores pulantes e afins, enfim.

A regra era jogar até morrer. Eu, claro, morria rapidamente. Elas desbravavam as maiores aventuras. E nem me fale do start-select. Chegar aos chefões, para mim, era muito emocionante e complicado. Para elas, muito simples e até entediante. Eu não sabia encontrar as passagens secretas. Elas nem precisavam passar de fase: iam direto aos esconderijos. Mas as tardes passavam logo e nunca dava tempo de chegar aos castelos mais avançados de forma que eu nunca zerava o Super Mario.

Voltando às vésperas do meu natalício, pesquisei os preços de um Super Nintendo usado (claro, não se fabrica mais) na internet. Encontrei um lindo – edição de colecionador, na cor vermelha. Na mosca. Encomendei com os controles e alguns cartuchos, incluindo, obviamente, o Super Mario. Teoricamente, demoraria cinco dias para chegar, depois de confirmado o depósito na conta do vendedor – assim, correndo o risco de levar o calote mesmo. Mas, no meu caso, chegou em três dias, exatamente no meu aniversário, numa linda manhã de sábado. Nem hesitei, instalei e me joguei, ou melhor, joguei bastante.

Mas foi nesse feriado da Semana Santa que eu me tornei uma pessoa plena. Depois de virar a noite jogando, calejar os dedos e enrijecer as juntas dos braços, eu zerei o Super Mario – 15 anos depois da moda. Os últimos castelos foram suados. O último chefão, um trabalho de parto. Duas horas ininterruptas de fracassadas tentativas. Salvar a princesa foi Mastercard. Sem preço. O coração disparou, senti calafrios – classificaria até como um orgasmo.

Vida que segue.

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quinta-feira, 1 de abril de 2010

Patriotismo aquém do peso


Ah, esqueci de ressaltar. É claro que, como superficial que sou, o patriotismo é um sentimento de durabilidade temporária e intermitência definida. Surge de QUATRO em QUATRO anos, mais especificamente, em tempos de Copa do Mundo da FIFA (eu não usaria uma blusa amerelo-gritante em nenhuma outra circunstância). Nem nas Olímpiadas ele aparece. De vez em quando, ele renasce aleatoriamente, quando, por acaso, alguma eliminatória do Mundial passa na TV do boteco enquanto faço alguns gols na cerveja. E dura o tempo do jogo, nada mais. Se o Brasil perde, nem isso.

No mais, pensar em Brasil? Só se for naquela música, de quem mesmo? Aquela que canta "Que país é esse?"... Que país é esse?

E para quem já me viu vidrada em uma partida de vôlei, esclareço que era mais por causa dos membros (literalmente, e até mais especificamente os superiores) da equipe do que pela nação representada. As caras e bocas nos cortes e saques também me atraem muito. E quando os bloqueios dão certo? Hummmmm...

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quarta-feira, 31 de março de 2010

Patriotismo além do peso

A pouco mais de dois meses da Copa do Mundo, achei que teria um bom motivo para comprar roupas e ser feliz. Afinal, preciso de um figurino a caráter para torcer durante os jogos do Brasil. Um verde e amarelo básico. Pois bem, me joguei no shopping.

Qual não foi a surpresa ao entrar nas lojas de departamento em busca de uma blusa com o tradicional nome do meu país e encontrar apenas opções colantes. Todas contornando a cintura à procura de gorduras localizadas. Sim, eu engordei e daí? Mas será que não posso participar dos clássicos churrascos em dias ensolarados de partidas sem explicitar isso?

Entrei na Marisa. Cá pra nós, de mulher pra mulher, havia três modelos graciosos a preços acessíveis. Me empolguei... No provador, nem o tamanho GG me serviu. Assim, serviu, mas incomodou, entende? Não, não estou tão gorda - para os médicos, meu peso é até ideal. Só não quero nada limitando os movimentos.


Da Marisa, fui para a Riachuelo. Lá estavam elas, brilhantes lantejoulas em um tecido tipo cotton. O-D-E-I-O cotton. Nem perdi tempo. Rumei para a Renner. Na Renner, o modelo típico de academia, meio tipo cotton também, ainda por cima era caro. Desci para a C&A, outro modelito clichê de malhação... É impressionante: as coleções nas lojas de departamento não variam nem na concorrência.

Deprimida, me entreguei ao sentimento da obesidade e fui tomar sorvete. Depois, um chopp. Muitas calorias, por fim. Não precisava combinar, mas apenas saciar a gula e relaxar os ânimos. Eis que, no caminho, resolvi fazer uma última tentativa em uma loja que nunca me atrevi a entrar.
Sim, eu fui à OTOCH. Cabisbaixa, para não ser reconhecida, saí de lá com uma sacola escondida na bolsa. Dentro dela, uma blusa amarela com BRASIL escrito em verde, bem soltinha, fresquinha e alegre. O tecido não é dos melhores, mas não marca a barriguinha. Vai durar um jogo e um pórri pelo menos.

Que venham os gols.