domingo, 25 de fevereiro de 2007

Introdução

Loira: ser ou não ser? Eis a questão.

Tudo começou quando eu cansei de ser inteligente. Cansei de pensar nas mazelas do mundo e carregar suas dores, cansei de buscar meu verdadeiro eu interior. Cansei de refletir. Liguei o piloto automático.

Meu namorado me chutou, minha auto-estima caiu. Perdi a fome, emagreci. Recebi elogios. "Nossa, como você está magra"... Gostei... tinha que me reerguer de alguma forma. Sim, a vida é banal ao ponto de tomarmos uma decisão tão drástica por causa de homens... e isso será mais que reafirmado no decorrer dos posts desse blog. 

Decidi então ser loira. Ir contra todos os meus princípios éticos sobre a alienação. Decidi me alienar, decidi me tornar tudo o que sempre critiquei porque percebi nas loiras superficiais algo que me faltava: a leveza do ser. Pessoas inteligentes são muito tensas, inquietas, frustradas. Ser superficial reduz nossos problemas a questões tão simples... dilemas tão rasos... Que roupa usar, qual a melhor marca de rímel e por que ele não me ligou. E vicia!! A água oxigenada imediatamente atingiu meu cérebro. Falando nisso, tenho que retocar minhas luzes, reoxigenar meus neurônios

Hoje pensei em entrar na academia... mas depois pensei que anfetaminas são muito mais eficientes na busca pelo corpo perfeito, e mais baratas até! Aliás, drogas não são usadas apenas com o intuito de transcender nossa condição limitada dentro dessa bolha que se chama sociedade. Elas são poderosos instrumentos na arte de viver intensamente feliz sem se importar com o resto. E por que o resto seria importante? A minha vida não é um filme no qual eu sou a protagonista? E por que fugir dos clichês? Tentar ser diferente já é começar a ser igual... Então adapte-se.

Devo ponderar, no entanto, que a trilha sonora desse filme não é composta por axé e/ou pagode. Minha forma de pensar alterada não infeccionou minha seleção aguçada. Aliás meus critérios de seleção rigorosos valem para homens também. Quero homens bonitos, ricos (claro) e inteligentes. Sim, inteligentes para me fazerem lembrar o quanto eu sou superficial socialmente e ao mesmo tempo tão profunda sexualmente. Ser superficial exige muito mais de nós na cama... 

Sexo é um ótimo esporte e agora mesmo me peguei pensando que já fazem mais de 24hs que eu não pratico. Preciso de um alvo (pinto). Então vou me arrumar, gastar horas em cremes, maquiagens, experimentação de roupas e conversas intensas comigo mesma na superfície do espelho. Ligo para minha amiga. Saímos. Se a jornada não atingir o objetivo inicial sempre sobra, no mínimo, a diversão imensa de criticar os sem-noção que atravessam o nosso caminho e, claro, falar mal dos figurantes que atuam em nossos filmes que chamamos de vida. De volta aos bastidores de Hollywood (meu quarto), me dispo, me masturbo, e durmo feliz. Amanhã será um novo dia, tão igual e tão legal quanto hoje.