domingo, 20 de maio de 2007

desabafo

"Como é preciso passar o tempo e impedir o pensamento, eu me ocupo. Da maneira mais fútil possível. A superficialidade é a única panacéia da minha latente depressão. E eu a agito por cima de minha cabeça para expulsar minhas idéias obscuras, fiz dela uma arte de viver."

Hell - Paris
(Lolita Pille)

quinta-feira, 3 de maio de 2007

Momento "Y"

O dilema é eterno. Pati ou Paty? "I" de inteligente ou "y" de superficial? Eu tento, persistentemente, me tornar uma Pat com "y", mas não consigo deixar de ser uma Pat com "i". Uma frustração. 

Em comentário a um post antigo, uma amiga lembrou que eu sofro dessa crise existencial desde os tempos de segundo grau. Um pouco antes, aos 13, eu lia revistas bobas para adolescentes e cheguei a encontrar uma bastante cult para o gênero – parecia, já naquela época, publicar matérias que abordassem os meus dois lados em formação. Não obstante, essa revista desapareceu do mercado editorial. Eu continuo no mercado da vida.

Eis que, outro dia, me peguei apaixonada. Dessas paixonites fúteis, clichês e, acima de tudo, platônicas. Assistindo ao filme 300, aquele com o Rodrigo Santoro expandindo a carreira hollywoodiana em mais uma ponta (ainda que maior), libertei a futilidade dentro de mim. Eu, adepta do cinema independente e de roteiros alternativos, molhei a calcinha com aquela superprodução de título perfeito – 300 homens gostosos, semi-nus, contraindo os músculos com expressões de força física. Puro tesão. Quando li as críticas, me orgulhei do "y" em questão. Afinal, caguei para os efeitos especiais, para as semelhanças/diferenças com os quadrinhos. No máximo, prestei atenção na trilha sonora, para não negar as raízes intelectuais. Mas, em casa, me masturbei, lógico, pensando no Stelius (Michael Fassbender) segurando aquela espada...



Por enquanto, me chame de Pat, apenas.

quinta-feira, 1 de março de 2007

Aula de Diagramação e Design

A professora é legal, gosto. A aula também, gosto. Minha cabeça está em outro lugar... percorre o mapa de um corpo que eu ainda não despi. AINDA.

Pictogramas e ideogramas foram essenciais para o desenvolvimento do alfabeto. A comunicação visual começou naquele tempo das cavernas com aquelas imagens desenhadas nas rochas, os primeiros registros históricos, ferramentas da comunicação, primeiras expressões artísticas. Nos dias de hoje podemos usufruir de softwares para desenvolver imagens, o que não finda a evolução da comunicação visual. Mas ela, a professora, ainda está falando dos egípicios que misturavam imagens e escrita, os hieroóglifos. 

Então eu posso voltar a concentrar nas imagens que minha mente produz... ah, aquele corpo... O nome dele eu não sei, ele estava lá e olhou para mim, ou não, talvez a minha obsessão direcionasse o olhar dele para onde eu desejasse, no caso, para mim. Ser loira e superficial tem tido resultados, mas ainda não disponho da auto-confiança necessária para resolver o dilema proposto. Ele olhou ou não? Preciso estabelecer contatos. Como? 

O telefone toca, minha vida anda tão superficial que eu esqueci de colocar o celular no silencioso, de propósito, talvez... queria que todos olhassem para mim e reparassem na minha roupa. Tenho que acordar muito cedo para pensar na combinação certa, apenas não cheguei ao ponto de me atrasar nas aulas porque há quem precise da minha carona pontual, e ainda não me tornei egoísta o suficiente também. Que saco, preciso melhorar muito minhas habilidades superficiais. Mas sim, o telefone... minha amiga está contente (adoro essa palavra) porque "X" ligou ontem e ela não atendeu. Ah, os jogos de sedução!! Estratagemas previamente articulados com o intuito único e exclusivo de garantir uma foda e, mais a frente, outras. 

Iremos ao shopping almoçar para discutir novas e velhas estratégias enquanto avaliamos as pessoas que passam por nós. Quantos losers... Os meus preferidos são os pseudo-cults. Na faculdade, o shopping que mais freqüento, eles são constantes e muito fáceis de identificar, isso porque eu, como uma ex-inteligente, possuo as armas para desmascará-los. Um deles sempre me chama muito a atenção – faz o tipo anti-social, indiferente, misterioso com aquele ar blasé, veste camisetas com mensagens irônicas que ele compra na Comix do Conic e esconde debaixo dos panos braços musculosos típicos de quem passa horas malhando e tomando aminoácidos... À noite, nas festas xaropes de Brasília, quando esse mesmo ser nos revela seu hobbie, vestindo camisetas mais apertadas, compradas em shoppings mais caros, ele me olha sem graça, por tê-lo descoberto, e finge não se importar, querendo me convencer que ele malha lendo livros de filosofia. Ai, os pseudo-cults...

A revolução industrial trouxe mais mudanças... A tipologia e a fotografia se desenvolveram como novas ferramentas da comunicação. Novas tecnologias, como a litografia, mudam a cara do design gráfico. A professora ainda não chegou nos dias atuais em que criaram o software com o qual iremos trabalhar, Adobe InDesign CS. Na semana que vem, se ela finalmente atingir a meta, começaremos a diagramar páginas e eu não poderei acessar a internet deliberadamente... 

Talvez eu devesse procurar um curso de Web Design para reciclar meus conhecimentos de HTML. Assim, poderei incrementar esse blog com frescuras típicas de pessoas superficiais... Ótima idéia!! Mais um lugar cheio de losers para eu criticar e, quem sabe, em meio a eles, um alvo sexual!! Vou aproveitar o resto de aula para pesquisar endereços e preços a fim de realizar meu mais novo capricho. 

Adoro aulas produtivas.

domingo, 25 de fevereiro de 2007

Introdução

Loira: ser ou não ser? Eis a questão.

Tudo começou quando eu cansei de ser inteligente. Cansei de pensar nas mazelas do mundo e carregar suas dores, cansei de buscar meu verdadeiro eu interior. Cansei de refletir. Liguei o piloto automático.

Meu namorado me chutou, minha auto-estima caiu. Perdi a fome, emagreci. Recebi elogios. "Nossa, como você está magra"... Gostei... tinha que me reerguer de alguma forma. Sim, a vida é banal ao ponto de tomarmos uma decisão tão drástica por causa de homens... e isso será mais que reafirmado no decorrer dos posts desse blog. 

Decidi então ser loira. Ir contra todos os meus princípios éticos sobre a alienação. Decidi me alienar, decidi me tornar tudo o que sempre critiquei porque percebi nas loiras superficiais algo que me faltava: a leveza do ser. Pessoas inteligentes são muito tensas, inquietas, frustradas. Ser superficial reduz nossos problemas a questões tão simples... dilemas tão rasos... Que roupa usar, qual a melhor marca de rímel e por que ele não me ligou. E vicia!! A água oxigenada imediatamente atingiu meu cérebro. Falando nisso, tenho que retocar minhas luzes, reoxigenar meus neurônios

Hoje pensei em entrar na academia... mas depois pensei que anfetaminas são muito mais eficientes na busca pelo corpo perfeito, e mais baratas até! Aliás, drogas não são usadas apenas com o intuito de transcender nossa condição limitada dentro dessa bolha que se chama sociedade. Elas são poderosos instrumentos na arte de viver intensamente feliz sem se importar com o resto. E por que o resto seria importante? A minha vida não é um filme no qual eu sou a protagonista? E por que fugir dos clichês? Tentar ser diferente já é começar a ser igual... Então adapte-se.

Devo ponderar, no entanto, que a trilha sonora desse filme não é composta por axé e/ou pagode. Minha forma de pensar alterada não infeccionou minha seleção aguçada. Aliás meus critérios de seleção rigorosos valem para homens também. Quero homens bonitos, ricos (claro) e inteligentes. Sim, inteligentes para me fazerem lembrar o quanto eu sou superficial socialmente e ao mesmo tempo tão profunda sexualmente. Ser superficial exige muito mais de nós na cama... 

Sexo é um ótimo esporte e agora mesmo me peguei pensando que já fazem mais de 24hs que eu não pratico. Preciso de um alvo (pinto). Então vou me arrumar, gastar horas em cremes, maquiagens, experimentação de roupas e conversas intensas comigo mesma na superfície do espelho. Ligo para minha amiga. Saímos. Se a jornada não atingir o objetivo inicial sempre sobra, no mínimo, a diversão imensa de criticar os sem-noção que atravessam o nosso caminho e, claro, falar mal dos figurantes que atuam em nossos filmes que chamamos de vida. De volta aos bastidores de Hollywood (meu quarto), me dispo, me masturbo, e durmo feliz. Amanhã será um novo dia, tão igual e tão legal quanto hoje.